Brasília, DF — O Banco de Brasília (BRB) mantém negociações com investidores árabes como parte de uma estratégia para reparar o impacto das operações fraudulentas ligadas ao Banco Master. A alternativa com os árabes seria complementar ao empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o banco e o governo do Distrito Federal estão tratando com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
Fontes ouvidas pelo CNN Money informam que há dois cenários na mesa: um aporte na forma de empréstimo ou a compra de ações do BRB, com os investidores assumindo participação sem virar acionistas majoritários. O governo do Distrito Federal segue como acionista controlador do banco, e a diretoria já avalia a possibilidade de realizar um roadshow nos Emirados Árabes Unidos quando as conversas avançarem.
A operação com o FGC inclui a formação de um sindicato de bancos públicos e privados para garantir o empréstimo. O plano prevê o uso de dois fundos do Distrito Federal como contragarantia caso ocorra inadimplência do governo local. Para viabilizar o crédito de maior vulto, o governo federal concordou em flexibilizar regras do Plano de Ajuste Fiscal (PAF), sem transferir recursos nem oferecer garantia da União.
Apesar do desenho, o governo distrital enfrenta resistência de bancos privados. As principais dúvidas apontadas nas negociações são a solidez das garantias apresentadas e a documentação necessária para avaliar o plano de negócios do BRB, o que tem atrasado a conclusão do acordo com instituições do setor privado.
A governadora Celina Leão (PP) retomou tentativas de diálogo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar do tema; no primeiro semestre o Palácio do Planalto havia recusado o contato diante do desgaste político do escândalo. O CNN Money informou que buscou posição do BRB e aguarda manifestação da instituição.