O presidente do BRB, Nelson Antonio de Souza, afirmou em audiência na CAE do Senado que o banco tem plano "conservador" para alcançar lucro líquido superior a R$ 1 bilhão em 2028. A previsão surge no contexto de uma crise de liquidez e de patrimônio causada por operações entre o BRB e o Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro.

Para cobrir riscos identificados pela equipe técnica, o GDF aprovou um aporte de R$ 8,8 bilhões ao BRB: R$ 6,6 bilhões serão viabilizados via empréstimo junto ao FGC e R$ 2,2 bilhões virão da securitização da dívida ativa do Distrito Federal. O presidente do banco explicou que o provisionamento de R$ 8,8 bilhões embasou o pedido de socorro.

Nelson informou que, entre 2024 e outubro de 2025, BRB e Master movimentaram cerca de R$ 30 bilhões, dos quais R$ 21,9 bilhões correspondem a carteiras do Master hospedadas no BRB — entre pessoas físicas, CRIs, fundos de investimento e carteiras jurídicas. A amplitude das operações justificou a avaliação de perdas e a necessidade de fortalecer o balanço.

O pacote financeiro e a narrativa de recuperação acendem alerta sobre o custo fiscal para o Distrito Federal e o efeito sobre a credibilidade da gestão do banco público. Além do impacto orçamentário imediato, a operação complica a narrativa oficial sobre governança e aumenta a pressão por transparência e supervisão mais rigorosa.

A proposta do BRB de voltar a lucrar não pode ser dissociada da necessidade de reconstruir confiança entre investidores, clientes e autoridades. O cenário impõe risco político ao controlador local, exige cobrança por resultados concretos e coloca na agenda a revisão de controles internos e limites para operações com terceiros.