A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado vai ouvir, nesta terça-feira (9), o presidente do Banco de Brasília (BRB), Nelson Antônio de Souza. O convite aprovado em abril foi transformado em convocação pelo presidente da comissão, senador Renan Calheiros, tornando obrigatória a presença da direção do banco para explicar os contratos firmados com o Banco Master.
A pauta chega em meio a uma crise que forçou a União e o governo do Distrito Federal a fechar, em 28 de maio, um acordo para viabilizar operação de crédito destinada a socorrer o BRB após problemas de liquidez decorrentes da tentativa de compra e da aquisição posterior de ativos do Master. Relatórios e balanços prometidos para 2025 ainda não foram entregues, aumentando a necessidade de esclarecimentos sobre as contas da instituição.
O episódio carrega efeitos políticos e institucionais: a revelação de gastos da ordem de R$ 12 bilhões na compra de ativos, as investigações da Polícia Federal sobre ex‑presidência do banco e as alegações de propina em torno de operações com carteiras potencialmente fraudadas ampliam desgaste para aliados locais e para a própria governança do BRB. A oitiva também servirá para cobrar transparência sobre os balanços trimestrais e semestrais que não foram apresentados no prazo.
Além do esclarecimento técnico, os senadores devem votar requerimentos ligados ao caso, conduzidos por um grupo de trabalho da CAE instalado em fevereiro. Para o governo do Distrito Federal — que vem justificando a necessidade de mais tempo para apurar os números — a audiência representa teste de credibilidade; para o mercado e para cidadãos, é sinal de que o custo político e fiscal do episódio ainda pode crescer caso dúvidas e omissões persistam.