O recuo temporário do preço do Brent durou pouco. Em 2 de julho o barril estava perto de US$ 70; na quarta (8) tocou novamente a casa dos US$ 80 antes de recuar para algo em torno de US$ 78, com variação de até 7% registrada por serviços de mercado. Esses movimentos deixam claro que o alívio recente é frágil e que choques geopolíticos retomam pronto seu efeito sobre o custo da energia.

A origem é conhecida: a guerra aberta no fim de fevereiro, com ataques que afetaram a circulação pelo Estreito de Ormuz, já havia empurrado o Brent a patamares mais altos durante a fase mais aguda do conflito. Sinais de diálogo trouxeram alívios temporários e um entendimento em junho permitiu uma queda mais duradoura, mas os episódios recentes demonstram que o risco segue latente e reativo a novos gatilhos.

Ormuz permanece como artéria crítica: segundo a EIA, passaram pelo estreito 20,9 milhões de barris por dia no 1º semestre de 2025, cerca de 20% do consumo global de líquidos. A Agência Internacional de Energia estima capacidade alternativa entre 3,5 milhões e 5,5 milhões de barris por dia — muito aquém do fluxo normal. No plano doméstico, a volatilidade do petróleo age como um imposto importado, contaminando combustíveis, fretes, fertilizantes, inflação, câmbio e decisões de investimento.

É nesse contexto que os biocombustíveis deixam de ser mera pauta ambiental e ganham perfil estratégico. Etanol, biodiesel, biometano e combustíveis sustentáveis de aviação reduzem exposição ao barril e ampliam a parcela doméstica da matriz. A obrigatoriedade do B15 e a entrada do E30, efetivadas em 1º de agosto de 2025, já estão em operação — não são novidade de 2026, mas passam a ter peso político e econômico maior diante da instabilidade externa. Para o país, a agenda exige continuidade e foco em eficiência industrial para transformar produção agrícola e resíduos em proteção contra choques internacionais.