O governo anunciou um plano de R$130 milhões para tentar reduzir o impacto das sobretaxas de 25% impostas pelos Estados Unidos a produtos brasileiros. A medida, a ser implementada no começo de agosto, busca acelerar a diversificação de destinos e apoiar exportadores pressionados pela nova rodada de barreiras comerciais. O movimento sinaliza urgência, mas levanta dúvidas sobre a escala e a velocidade com que esse dinheiro pode gerar resultados.

O Brics surge como alternativa óbvia: o bloco reúne parceiros relevantes e já ampliou muito o comércio intrabloco entre 2003 e 2024 — as exportações brasileiras para o grupo cresceram de US$ 9,5 bilhões para US$ 118,6 bilhões no período, segundo a UNCTAD. Ainda assim, analistas consultados por veículos especializados alertam que aproveitar essa base exige muito mais do que deslocar cargas. O tamanho do mercado não se traduz automaticamente em acesso fácil e rápido.

Há obstáculos práticos que limitam a substituição do mercado americano. O perfil do comércio com países do Brics é, em grande medida, composto por commodities e produtos primários, enquanto parte importante das vendas ao mercado norte-americano é de bens manufaturados com maior valor agregado. Além disso, o bloco não é uma união aduaneira: faltam regras comuns, facilidades logísticas e padrões harmonizados que facilitem trocas em larga escala. O Novo Banco de Desenvolvimento pode financiar infraestrutura, mas isso resolve problemas só no médio e longo prazo.

No plano político e econômico, o pacote da Apex terá de mostrar, rapidamente, prioridades claras: quais setores serão apoiados, como serão tratadas exigências sanitárias e padrões técnicos, e que mecanismos vão ajudar fabricantes a redirecionar cadeias produtivas. Sem respostas práticas, a iniciativa corre o risco de ser percebida como insuficiente diante da dimensão da perda de mercado. Em resumo: o Brics pode mitigar parte do choque, mas não elimina, no curto prazo, o custo político e econômico imposto pelas tarifas americanas.