Um estudo da Circana Brasil mostra que brinquedos direcionados a adolescentes e adultos registraram alta de 50% no faturamento em agosto, sinalizando que o mercado infantil clássico vem se ampliando para públicos mais velhos. A tendência aparece no mesmo momento em que a CNC projeta R$ 9,27 bilhões em vendas no varejo para o Dia das Crianças, enquanto a ABecs estima R$ 20,2 bilhões em compras relacionadas à data — números que, apesar de metodologias distintas, confirmam recuperação e aquecimento do setor.

Os dados indicam mudanças concretas no mix de produtos: itens multigeracionais tiveram faturamento que dobrou entre 2025 e 2026, enquanto os produtos exclusivos para crianças cresceram 17% no período. Categorias como action figures e blocos de montar já figuravam entre as preferidas de colecionadores em 2025; lançamentos ligados à Fórmula 1 e marcas como Ferrari também aparecem entre os destaques de maior crescimento.

A expansão atrai investimento e eleva o ticket médio: a estimativa da ABecs aponta concentração de 48% das compras no Sudeste (cerca de R$ 8,8 bilhões), seguido por Nordeste (R$ 5 bi) e Sul (R$ 3,1 bi). O gasto médio por presente varia de R$ 298 no Centro‑Oeste a R$ 169 no Nordeste. No exterior, levantamento da Circana nos EUA mostrou que adultos passaram a ser o principal grupo em faturamento, e recordes no mercado secundário — como a venda milionária de um card raro em 2026 — reforçam o potencial de valorização.

Para o varejo, a mensagem é dupla: há oportunidade de ganhar margem e diversificar oferta, mas também a necessidade de ajustar estoques, canal digital e estratégia de marketing para nichos colecionadores. Além disso, o aquecimento do mercado secundário cria uma via para especulação em peças raras, o que exige atenção de operadores e consumidores diante do risco de formação de bolhas em segmentos específicos.