A Brisanet reportou lucro líquido de R$ 26,1 milhões no segundo trimestre de 2026, alta de 320% na comparação anual, enquanto a receita operacional líquida alcançou quase R$ 476 milhões, crescimento de 16% em doze meses. Em entrevista, o presidente José Roberto Nogueira posicionou a empresa como a maior operadora regional do país, com 1,6 milhão de assinantes de banda larga no Nordeste e cerca de 1 milhão no segmento móvel, além de cobertura 5G que alcança mais de 16 milhões de habitantes.

O executivo desenhou o mapa do setor em três frentes — grandes incumbents, cerca de 15 mil pequenos provedores e um núcleo de operadores regionais (aproximadamente dez empresas de maior porte) — e traçou ambição clara: levar rede 5G a todas as cidades do Nordeste (1.795 municípios) e a cerca de 480 cidades do Centro-Oeste até 2030. A expansão será tocada com investimento intensivo: R$ 1 bilhão no ano anterior e R$ 700 milhões previstos para este ano, segundo Nogueira, majoritariamente financiad os com geração de caixa própria.

O financiamento pelo caixa pode ser argumento de disciplina financeira e reduzir exposição a endividamento. Mas também impõe limites à velocidade de expansão e exige que a operação converta rapidamente infraestrutura em serviços rentáveis — meta que a própria Brisanet coloca ao prever que residências consumirão entre 10 e 15 serviços tecnológicos nos próximos anos. Há aí uma equação importante para a sustentabilidade do plano: ritmo de adoção, concorrência e capacidade de monetização dos serviços adicionais.

Do ponto de vista do mercado, a aposta regional e a escala anunciada podem ampliar pressão competitiva sobre incumbents nas capitais e sobre os pequenos provedores locais, com impacto direto em preço e oferta de serviços. Para consumidores e gestores públicos, a promessa de cobertura mais ampla do 5G traz potencial de inclusão digital — desde que os investimentos se traduzam em qualidade, disponibilidade sustentável e oferta de serviços acessíveis.