O BTG Pactual assumiu o controle da participação no projeto Jardim das Perdizes, em São Paulo, após adquirir a fatia que pertencia à gestora norte-americana Hines. Com a operação, o banco passou a deter 68,59% do empreendimento, cujo Valor Geral de Vendas (VGV) supera R$ 5 bilhões. O valor oficial da transação não foi divulgado; fontes consultadas apontam pagamento aproximado de R$ 380 milhões pela participação da Hines, cifra que ainda não foi confirmada pelas partes.
Em fevereiro, o BTG já havia oferecido R$ 260,9 milhões por 29,09% que pertenciam ao Windsor, a SPE responsável pelo projeto. A Cyrela chegou a apresentar proposta em negociação anterior, mas não avançou. Apesar de o BTG ser agora majoritário, a incorporadora Tecnisa seguirá tocando a execução do empreendimento. A operação permanece sujeita ao aval do Cade, etapa considerada determinante para a consolidação do novo arranjo societário.
A mudança reduzida a um maior controle por uma instituição financeira levanta questões práticas: alteração de estratégia comercial, ritmo de lançamentos e decisões sobre financiamento e custos. A falta de transparência sobre o preço efetivo da compra e a ausência de posicionamento formal do BTG, da Tecnisa e da Hines aumentam a expectativa do mercado por esclarecimentos, numa obra de grande impacto financeiro e urbanístico.
Do ponto de vista institucional, o escrutínio do Cade será acompanhado de perto por concorrentes, possíveis compradores de unidades e investidores. Se aprovado, o movimento confirma tendência de bancos e fundos ampliarem presença direta em ativos imobiliários. Até lá, o controle majoritário do BTG muda o jogo de governança do projeto, sem que ainda estejam claros os efeitos práticos sobre cronograma, vendas e parceiros.