A Superintendência-Geral do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) autorizou, sem imposição de restrições, a aquisição de 100% do capital votante da GIP Medicina Diagnóstica pelo Grupo Fleury. O despacho foi publicado no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (23). A operação, anunciada em novembro, tem valor de enterprise value de R$ 207,5 milhões, sujeito a ajustes e a dedução da dívida líquida apurada no fechamento.
A GIP atua em laboratórios clínicos, medicina ambulatorial, diagnóstico e terapêutica, além de serviços de vacinação e imunização, com 12 unidades em São Paulo sob a marca FEMME – Laboratório da Mulher. Em 2024, a receita bruta da empresa chegou a R$ 286,6 milhões, segundo dados divulgados quando o acordo foi fechado. A combinação traz ao Fleury uma posição mais robusta no segmento voltado à saúde feminina.
A aprovação sem restrições indica que o Cade não identificou riscos concorrenciais relevantes que exigissem remédios estruturais ou comportamentais. Para o mercado, isso facilita a integração operacional e abre espaço para ganhos de escala e racionalização de custos. Por outro lado, a transação reforça a tendência de concentração no setor de diagnóstico, tema que exige acompanhamento — sobretudo sobre acesso a serviços, pressão sobre preços e relação com planos de saúde.
Do ponto de vista estratégico, o negócio amplia a capilaridade do Fleury em ambulatório e exames direcionados à mulher, com potencial impacto na oferta de serviços em São Paulo. Apesar da autorização regulatória, resta observar como a integração será conduzida, quais sinergias serão realizadas e se haverá efeitos concretos para consumidores e prestadores locais. A autorização do Cade remove uma barreira institucional, mas não encerra a necessidade de monitoramento do mercado.