O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) aprovou sem restrições a compra da Desktop pela Claro, encerrando a incógnita regulatória sobre a operação celebrada em março por R$ 4 bilhões. A intervenção da Superintendência-Geral sinalizou que, embora exista sobreposição relevante em serviços de banda larga fixa, não há probabilidade suficiente de exercício unilateral de poder de mercado para barrar a transação.
A análise técnica registrou que a maior sobreposição ocorre em 198 municípios de São Paulo, onde a Desktop soma 1,2 milhão de clientes — cerca de 7,6% de participação no Estado. Para efeito de comparação, a Claro tem 4,5 milhões de assinantes (28,3%) e a Vivo 4,9 milhões (31%). Apesar das participações conjuntas significativas em diversas cidades, o Cade avaliou que condições de entrada e rivalidade, além da presença de concorrentes locais e nacionais, tornam os riscos concorrenciais mitigáveis.
O órgão também levou em conta incentivos da própria Claro para desocupar infraestruturas redundantes ao longo do tempo. A operação prevê a aquisição inicial de 73% da Desktop (84 milhões de ações ordinárias); os vendedores incluem o fundo Makalu Brasil Partners, ligado à HIG Capital, e sócios fundadores. Em seguida, a Claro deverá lançar oferta pelos 27% remanescentes no mercado.
A aprovação reduz a incerteza regulatória e fortalece a posição da Claro na briga pela liderança em São Paulo. Ao mesmo tempo, a decisão reabre o debate sobre concentração no setor e sobre a capacidade de novos entrantes em disputar mercado em municípios com dupla presença relevante. O argumento do Cade — de que contestabilidade e infraestrutura garantem a competição — é decisivo agora, mas dependerá da efetiva manutenção de rivalidade operacional nos mercados locais.