O Cade terá mais uma mudança na presidência interina: Gustavo Augusto Freitas de Lima deixa o cargo após nove meses e será substituído, a partir deste domingo, pelo conselheiro Diogo Thomson, que passa a ser o membro mais antigo em exercício. A troca ocorre na ausência de um nome definitivo indicado pelo presidente da República, deixando a autarquia em interinidade prolongada.

A demora do Planalto em encaminhar indicações trava a composição plena do conselho. Fontes consultadas pelo Broadcast apontam que nomeações pendentes dependem de desdobramentos no Senado — entre elas, a movimentação para vagas em tribunais superiores — e, enquanto isso, o Cade funciona com apenas quatro conselheiros, operando no limite para julgar processos complexos.

A interinidade não é mera formalidade: o órgão tem papel central na regulação da concorrência, especialmente agora que o projeto do Executivo sobre mercados digitais prevê a criação da Superintendência de Mercados Digitais e atribuições ampliadas ao conselho. A incerteza institucional coincide com decisões recentes de grande impacto econômico, como fusões no varejo e no setor alimentício, que demandam colegiado completo e perfil decisório estável.

Além do custo operacional, a sucessão temporária reflete desgaste político. A divisão interna, exposta em votações acaloradas e alinhamentos claros entre conselheiros, torna a agenda regulatória mais sensível a mudanças de liderança. Cabe ao governo sinalizar rapidamente nomes com legitimidade técnica para evitar que a interinidade comprometa a capacidade do Cade de arbitrar casos que têm efeito direto sobre competição, investimentos e consumidores.