O conselheiro Diogo Thomson assume, a partir deste domingo (12), a condição de presidente interino do Cade, substituindo Gustavo Augusto Freitas de Lima, que deixa o cargo após nove meses na função. A troca ocorre sem indicação de titular pelo Palácio do Planalto, o que mantém o conselho em situação de interinidade prolongada e com liderança provisória.

Fontes ouvidas pelo Broadcast apontam que as nomeações para o órgão seguem travadas e condicionadas à aprovação de outras indicações no Senado, em especial a possível ida do atual ministro da AGU, Jorge Messias, ao STF. Enquanto o impasse persistir, o Cade seguirá operando no limite — com apenas quatro conselheiros —, o que reduz sua capacidade de atuação colegiada e ameaça a velocidade de análise de processos complexos.

A gestão interina de Gustavo Augusto, iniciada em meados de julho de 2025, foi marcada por forte divisão interna. Ele pertenceu à ala minoritária em votações relevantes e disputas públicas entre conselheiros chegaram a esquentar sessões do tribunal. No período, o conselho aprovou fusões de grande repercussão, como Petz/Cobasi e BRF/Marfrig, além de julgamentos envolvendo companhias aéreas e big techs, decisões que ganharam atenção do mercado e do setor regulatório.

O cenário expõe um dilema institucional no momento em que o Cade é colocado no centro do projeto do Executivo que regula a concorrência em plataformas digitais e cria a Superintendência de Mercados Digitais. A interinidade prolongada e o quórum reduzido acendem alerta sobre a capacidade do órgão de assumir novas atribuições e de dar previsibilidade a empresas e investidores — um custo político e prático para o governo caso a solução não venha em prazo breve.