A Caixa Econômica Federal atingiu pela primeira vez a marca de R$ 1 trilhão em saldo de crédito imobiliário, de acordo com o balanço do segundo trimestre. O resultado representa avanço de 15% na comparação com junho de 2025 e confirma a intenção do banco de manter a expansão da carteira.
Do total, R$ 618 bilhões estão vinculados à habitação social — alta de 18,3% ante 2025 — e R$ 387 bilhões provêm de recursos livres e da poupança. O volume de crédito contratado, ou seja, o que efetivamente entrou na economia, cresceu 29,3% no ano, chegando a R$ 137,6 bilhões, com os recursos próprios da Caixa subindo 55,6%, a R$ 52,3 bilhões.
Executivos do banco atribuíram parte do movimento à redução da inadimplência e ao ajuste nas regras sobre a destinação dos compulsórios. Segundo a direção, a instituição conseguiu aproveitar a mudança que liberou uso dos recursos para operações mais rentáveis, mediante contrapartida de conceder crédito imobiliário em montante equivalente ao captado.
O avanço amplia a capacidade da Caixa de financiar habitação, mas também impõe necessidade de vigilância. A combinação de crescimento acelerado e maior uso de recursos próprios exige acompanhamento rigoroso da qualidade da carteira e transparência sobre os efeitos dessa política na dinâmica do crédito e nas contas do setor. Para o governo, a flexibilização dos compulsórios tem efeito político direto: troca liberdade de alocação por metas de crédito que precisam ser entregues na prática.