O Campari Group fez seu maior investimento para lançar nos Estados Unidos o Sarti Rosa, licor aperitivo de tom rosado criado para spritzes. A decisão vem em cima de um fenômeno já conhecido: consumidores que provaram a bebida na Europa viralizaram o coquetel nas redes sociais e pediram à empresa que o produto chegasse ao mercado norte-americano. A aposta é transformar essa visibilidade em volume de vendas num momento em que o consumo de álcool nos EUA está esfriando.
O Sarti Spritz é descrito como uma opção mais adocicada, com notas de manga, maracujá e laranja-sanguínea, servida com Prosecco e água com gás. A estratégia do grupo é diferente da usada para consolidar Aperol e Campari: em vez de empurrar a categoria tradicional, o objetivo é captar jovens que preferem sabores frutados e menos amargor, aproveitando a estética fotogênica da bebida e a propensão ao consumo por impulso estimulada pelo TikTok e Instagram.
O lançamento ocorre num pano de fundo complexo. Embora as vendas globais de aperitivos do grupo tenham subido 4% no primeiro semestre e a categoria ligada ao Sarti tenha avançado quase 9% mundialmente, analistas apontam que o mercado americano é um ponto fraco: consumo moderado e migração de jovens para opções com menor teor alcoólico reduzem o potencial imediato. Ainda assim, sinais iniciais foram positivos: distribuição em junho a grandes redes e relatos de distribuidores e bares — especialmente em cidades com alta penetração de spritz, como Nova York — indicam procura rápida pelo produto.
Economicamente, a jogada tem riscos e oportunidades. Se o investimento converter o engajamento digital em compra recorrente, haverá ganho para fabricantes, distribuidores e bares; se não, o custo de marketing pode pesar num setor já pressionado. A competição com outras fórmulas frutadas e a necessidade de transformar tendência viral em hábito de consumo serão os testes decisivos para saber se o Sarti Rosa amplia a fatia do spritz nos EUA ou se ficará como moda passageira.