A Davide Campari-Milano anunciou vendas de 643 milhões de euros entre janeiro e março, alta de 2,9% em relação ao mesmo período do ano anterior, mas aquém do consenso de analistas, que projetava 651,1 milhões de euros, segundo estimativas compiladas pela Visible Alpha. Na Europa, o grupo registrou avanço de 1,9%, impulsionado em parte por novos formatos do carro‑chefe Aperol. Na América do Norte, as vendas subiram 2,2%, com desempenho de Aperol e da tequila Espolòn, mas o crescimento foi afetado por um dólar mais fraco.
O recuo acentuado nas vendas duty‑free foi apontado pela empresa como efeito colateral da guerra no Oriente Médio, que reduziu o tráfego aéreo global. Apesar do trimestre abaixo das expectativas, a Campari reiterou a meta de crescimento subjacente de cerca de 3% para o ano, alinhada ao ritmo registrado em 2025. O CEO Simon Hunt destacou ganho de participação de mercado em quase todos os principais mercados e avanços no pipeline de inovação e em investimentos de marca.
Do ponto de vista financeiro e estratégico, o resultado expõe dois vetores de risco: a sensibilidade cambial e a dependência do canal travel retail, hoje vulnerável a choques geopolíticos. A folga entre o número realizado e o consenso não é dramática, mas sinaliza que variáveis externas — câmbio e tráfego internacional — podem diluir ritmo de recuperação projetado. Para converter participação de mercado em crescimento recorrente, a companhia terá de sustentar a eficiência dos investimentos em marca e a capacidade de lançamento de produtos que se traduzam em vendas efetivas.
Para 2026, a confiança da Campari é plausível, porém condicionada. A companhia precisa provar que os ganhos de participação e a inovação se materializam em crescimento resiliente, mesmo diante de flutuações cambiais e de um canal duty‑free ainda incerto. Investidores e mercado deverão acompanhar próximos trimestres, a performance na temporada de pico e a evolução do câmbio — elementos que definirão se a meta de ~3% será apenas aspiracional ou um caminho realista para consolidação do crescimento.