O governo do Canadá anunciou que vai impor tarifas de 50% sobre importações de cobre e de carvão vegetal de madeira vindas dos Estados Unidos, segundo confirmou um representante do Departamento das Finanças à Bloomberg. A medida substitui alíquotas previamente aplicadas a peixes e frutos do mar, itens que foram retirados da lista após consultas com o setor. Outros produtos afetados incluem recipientes de vidro, imagens impressas e azulejos de gesso.
Ottawa deixa claro que a exclusão do pescado não significa trégua: o país reafirmou a política de retaliação "dólar por dólar, tarifa por tarifa" e manteve a intenção de pressionar economicamente Washington. As tarifas entram em vigor em 8 de setembro e, segundo o Wall Street Journal, o ajuste reduz a lista de bens americanos atingidos de cerca de 800 para 629 itens — um recuo tático, mas sem abandono da estratégia de resposta.
Do ponto de vista econômico, empresas e autoridades nos dois lados da fronteira já se preparam para um cenário de atrito prolongado, sem retomada imediata das negociações, informa a Dow Jones. O Canadá chega à disputa com um colchão macro: registrou no segundo trimestre o maior superávit em conta corrente desde 2005, impulsionado pelos preços de energia. Ainda assim, tarifas sobre insumos como cobre podem repercutir em custos industriais e cadeias de suprimento na América do Norte.
Politicamente, a medida amplia a tensão bilateral e sinaliza que Ottawa está disposto a suportar custos para responder ao recente "tarifaço" dos EUA. Para Washington, a pressão comercial é um sinal de custo político e econômico que pode afetar exportadores e aliados setoriais. Resta à diplomacia e ao setor privado encontrar saída que evite escalada maior e minimize impacto sobre comércio e investimento.