A carga tributária bruta do Governo Geral subiu de 30,3% do PIB em 2023 para 32,4% em 2025, segundo a série histórica revisada pelo Tesouro Nacional — o maior percentual desde o início da série em 2010. Em dois anos, o avanço acumulado foi de cerca de 2,1 pontos percentuais do PIB, fruto de uma arrecadação que cresceu em ritmo superior ao da economia.

O Tesouro atribui a elevação principalmente ao crescimento das receitas do Governo Central, com destaque para tributos sobre renda (incluindo IR sobre lucros e ganhos de capital), aumento do IOF em operações de câmbio e crédito, e maior arrecadação com contribuições ao RGPS, influenciada pela expansão do emprego formal e pela reoneração da folha. A revisão metodológica aplicou nova classificação às receitas e foi homogeneizada em toda a série para permitir comparabilidade.

Do ponto de vista econômico, a combinação de arrecadação acima do ritmo do PIB e maior peso do governo central tem efeitos concretos: reduz a renda disponível das famílias, pode encarecer crédito e operações financeiras via IOF e tende a agravar custos para empresas quando a reoneração da folha retrocede. Para uma agenda voltada a crescimento e competitividade, a tendência é desfavorável.

Politicamente, os números complicam a narrativa de alívio fiscal e ampliam a pressão sobre quem governa: aumenta a cobrança por contenção de gastos, eficiência administrativa e propostas de reforma tributária que aliviem distorções sem ampliar carga. A leitura técnica do Tesouro deixa claro que o país enfrenta agora um dilema entre continuar a receita elevada e responder às demandas por recuperação da atividade econômica e proteção da renda.