O Carrefour divulgou resultados do primeiro trimestre aquém do consenso de mercado: receita de 21,1 bilhões de euros ante 21,8 bilhões esperados, segundo Visible Alpha. O desempenho decepcionou sobretudo no Brasil, onde as vendas recuaram 0,8% em comparação com a mesma janela do ano anterior — bem abaixo da projeção de alta de 0,6%.
A empresa atribui parte da fraqueza no país ao efeito de taxas de juros muito altas sobre o poder de compra dos consumidores, uma pressão que reduz volumes de alimentos e complica a dinâmica de preços. No conjunto, as margens seguem comprimidas: a rentabilidade caiu para 2,6% no ano passado, contra 3,1% em 2021, o que exige atenção à eficiência operacional e ao controle de custos.
Na ponta positiva, a Espanha registrou crescimento de 3,1% nas vendas, ajudando a compensar perdas no Brasil, e a França mostrou resiliência com vendas comparáveis crescendo 1,4%. O grupo também inaugurou 88 lojas de conveniência na França no trimestre, movimento usado para recuperar participação de mercado diante de concorrentes que atuam mais agressivamente no preço.
A administração minimizou, por ora, efeitos diretos do conflito no Oriente Médio sobre estoques, e o grupo opera na região por franquia com parceiros locais. Ainda assim, o cenário junta três desafios: consumo mais fraco no Brasil, custos energéticos em alta e margens estreitas. Para investidores e para a direção do CEO Alexandre Bompard, a capacidade de transformar recuperação de participação em lucro sustentável será o termômetro do sucesso da estratégia.