O diretor do Conselho Econômico Nacional da Casa Branca, Kevin Hassett, declarou que o governo apoiará "100%" qualquer decisão que o presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, e o comitê de política monetária tomarem sobre as taxas de juros nesta semana. Apesar da posição pública, Hassett afirmou que ele e o presidente Donald Trump não identificam razões técnicas para um aumento das taxas no cenário atual.
Na entrevista à CNN, o assessor ressaltou que, embora a inflação tenha sofrido pressão em meses anteriores devido à alta do petróleo no Oriente Médio, o indicador anualizado nos últimos três meses caiu para cerca de 1%, reflexo, segundo ele, do avanço das medidas econômicas da administração federal. Hassett também evocou a tradição histórica de o banco central evitar mudanças bruscas na política monetária próximo a períodos eleitorais, enquanto reiterava respeito à autonomia do Fed.
A fala tem duplo efeito político. Por um lado, oferece uma mensagem conciliatória: a Casa Branca diz aceitar o veredito do comitê. Por outro, expõe uma clara tensão entre o discurso de independência e um sinal explícito favorável à manutenção de juros baixos — uma circunstância que mercados e analistas podem interpretar como tentativa de alinhamento entre objetivos fiscais e monetários em ano político. Essa ambivalência complica a narrativa oficial e pode aumentar o escrutínio sobre a necessidade de o Fed reafirmar sua independência institucional.
Na prática, se a autoridade monetária optar por não elevar juros, a Casa Branca ganha alívio político; se o Fed subir as taxas, a declaração pública poderá ser citada como evidência de pressão externa. O episódio deixa claro que, mesmo sem quebrar formalmente a autonomia do banco central, manifestações públicas deste tipo afetam o ambiente político-econômico e serão observadas de perto por investidores e opositores.