O Grupo Casas Bahia protocolou pedido de recuperação judicial no domingo (16), em decisão aprovada pelo Conselho que também abrangeu outras empresas do conglomerado. A medida vem após um período prolongado de deterioração financeira, confirmado pelo resultado do segundo trimestre.

No 2º trimestre o grupo registrou prejuízo líquido de R$10 bilhões — 18 vezes superior ao mesmo período do ano anterior — e afirma ter R$17 bilhões em dívida total, entre passivos bancários, trabalhistas e outros. A receita líquida ficou em quase R$7 bilhões, com crescimento modesto de 1,6%, enquanto o EBITDA recuou 9,4% e o prejuízo ajustado aproximou‑se de R$1 bilhão. Em 2023 a rede retomou o nome Casas Bahia na gestão de Renato Franklin; em 2024 já havia tentado alongar dívidas por via extrajudicial quando a obrigação superava R$4 bilhões.

Analistas consultadas pelo mercado viram o pedido como consequência previsível de problemas acumulados. Juros mais altos e uma política de crédito mais seletiva impediram a recomposição de liquidez necessária ao modelo da empresa, que vende a prazo e tem prazo curto para pagar fornecedores. Além disso, o público majoritário da rede — consumidores das classes C e D — enfrenta maior dificuldade para honrar parcelas, pressionando caixas e receitas.

A recuperação judicial oferece fôlego ao grupo e mantém as operações em funcionamento enquanto renegocia credores, mas o episódio lança luz sobre a vulnerabilidade estrutural do varejo popular em ambientes de crédito caro. Para fornecedores, bancos e investidores, o caso reforça a necessidade de avaliar o risco de liquidez no setor e a exposição a ciclos de juros e inadimplência.