As Casas Bahia formalizaram pedido de recuperação judicial no domingo (16). Em entrevista ao CNN Prime Time, a professora de finanças Vera Bermudo, da FGV, apontou como causa central o descolamento no capital circulante: os ativos de curto prazo da empresa são insuficientes para cobrir o passivo circulante.
Bermudo explicou que a situação foi agravada após a recuperação extrajudicial de 2024, quando dívidas foram alongadas para o longo prazo para ganhar tempo. Na prática, esse adiamento não foi acompanhado das medidas estruturais necessárias — fechamento de lojas e redução de custos — que agora voltaram à pauta e culminaram no anúncio de cerca de 300 lojas a menos e aproximadamente 3 mil demissões.
A especialista destacou ainda o papel do ambiente de juros elevados: "os juros altos não ajudam o varejo", afirmou. Para Bermudo, a combinação entre custo de crédito elevado e decisões de gestão que privilegiaram prazos em vez de eficiência operacional tornou a empresa mais vulnerável. No processo de recuperação judicial, a legislação estabelece priorização de pagamentos a trabalhadores, impostos e fornecedores, com acionistas por último.
Além do drama humano imediato, o caso serve como sinal de alerta para o setor: reforça a necessidade de parcimônia ao se endividar em ciclos de juros altos e de planos de expansão mais criteriosos. Para credores e concorrentes, a recuperação das Casas Bahia será seguida como termômetro sobre a saúde financeira do varejo e a capacidade de ajuste do modelo operacional.