Um levantamento da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção) aponta que a proposta de reduzir a jornada na chamada escala 6x1 tem efeitos que vão além do horário de trabalho e atingem a estrutura produtiva do setor. A maioria das empresas consultadas enxerga aumento do custo da mão de obra (88,5%) e do custo final para o consumidor (84,6%), além de impactos significativos na produtividade (82,5%) e no prazo de execução das obras (81,6%). Para a entidade, os indicadores revelam um consenso elevado sobre os riscos de implementação sem medidas compensatórias.
O estudo mostra também que a adaptação tende a exigir contratações adicionais, segundo 73,9% das empresas, o que sugere que a mudança não seria resolvida apenas por reorganização interna. Ao mesmo tempo, 45,3% afirmam que poderiam reduzir contratações futuras caso a jornada seja reduzida sem revisão proporcional de salários. Na ponta social, 78,6% apontam risco de aumento da informalidade — um elo claro entre jornada, custo e qualidade do emprego no setor. No segmento de obras públicas, a maioria dos entrevistados antevê elevação de custos em contratos vigentes e futuros.
Os efeitos descritos trazem consequências econômicas e institucionais concretas. Para consumidores, o repasse de custos pode encarecer moradias e empreendimentos; para a máquina pública, há potencial pressão sobre orçamentos e contratos de infraestrutura. Para as empresas, o dilema é entre ampliar quadro e enfrentar custos maiores ou cortar contratações e arriscar perda de capacidade produtiva. O cenário desenhado pela CBIC coloca ainda um desafio regulatório: reduzir jornada sem mecanismo de compensação pode deteriorar emprego formal e qualidade do serviço.
A avaliação da entidade destaca que a mudança altera a organização produtiva da construção e exige debate orientado por números. Se confirmadas as percepções do setor, a discussão pública precisará considerar alternativas — revisão contratual em obras públicas, incentivos à qualificação, ou fórmulas de transição salarial — para mitigar impactos econômicos e sociais. Ignorar os trade-offs apontados pela CBIC seria transferir custos para consumidores, empregadores e finanças públicas.