A Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) cortou sua projeção de crescimento do PIB do setor para 2026, de 2% para 1,2%. A revisão reflete maior pressão sobre os custos dos materiais, uma redução menos intensa da taxa de juros do que a esperada e elevação das expectativas de inflação diante das incertezas provocadas pelos conflitos no Oriente Médio. No primeiro trimestre de 2026, o índice do preço médio dos insumos da construção subiu para 68,4 pontos, o maior patamar desde o 2º trimestre de 2022.
O desempenho de 2025 — expansão de 0,5%, abaixo da projeção anterior de 1,3% — sinaliza que a recuperação do setor segue frágil. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) já havia destacado piora nas condições financeiras da construção no 1º trimestre, atribuída a juros elevados e ao encarecimento das matérias‑primas. Para um segmento que movimenta cadeia produtiva e mão de obra, a combinação de custos mais altos e crédito mais caro reduz margens e freia novos investimentos.
A CBIC também sinaliza risco adicional caso avance a proposta de fim da escala 6x1. A entidade afirma que reduzir a jornada sem ajuste proporcional em salários pressionaria custos de produção, afetando não só a mão de obra direta nos canteiros, mas toda a cadeia que emprega trabalhadores. Com mais de 3 milhões de empregos vinculados ao setor, qualquer aumento de custo pode reverberar em demissões, adiamento de obras e aumento de preços ao consumidor.
O novo quadro abriu um dilema político e econômico: controlar inflação e manter juros ainda mais altos corroem a recuperação; reduzir juros depende de ancoragem das expectativas; mudanças na regulamentação trabalhista exigem avaliação dos efeitos sobre emprego. O setor tende a pressionar por medidas que aliviem custos — linhas de crédito setoriais, previsibilidade tributária e gestão dos impactos da reforma tributária — enquanto o governo precisa equilibrar demandas por proteção social, emprego e sustentabilidade fiscal.