O grupo chileno Cencosud assinou um contrato para adquirir a totalidade das operações da St. Marche, rede paulista de supermercados premium controlada pelo Grupo Hortus. A transação foi estruturada pela Cencosud Brasil Comercial e anunciada junto ao pedido de recuperação judicial apresentado pelo Hortus à 1ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central Cível de São Paulo.
Segundo o material enviado à Justiça, a compra será feita sem dívidas ou desembolso de caixa por parte da Cencosud, e sua conclusão depende de condições usuais, incluindo a aprovação do plano de recuperação e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A operação, se confirmada, será financiada com recursos obtidos pela alienação das operações da Cencosud em Minas Gerais, movimento que abre nova frente operacional e regulatória para o grupo chileno.
O pedido de recuperação do Grupo Hortus descreve uma crise de liquidez entre 2024 e 2025 e pede um stay period de 180 dias para suspender execuções e viabilizar a venda estratégica. A companhia atribui a deterioração a um pacote de efeitos: rápido plano de expansão — de 21 para 33 lojas entre 2021 e 2023, com mais de R$ 120 milhões investidos —, o fracasso do IPO previsto em 2021 e o choque dos juros, que elevaram o custo financeiro em meio a menor disponibilidade de crédito.
A petição também detalha efeitos operacionais: cortes de crédito levaram a estoques enxutos, falta de produtos, perda de clientes e queda de receitas. No plano apresentado, o grupo destaca que a recuperação é um instrumento para viabilizar a venda e não a solução final para o endividamento. O documento prevê prioridade a fornecedores, proprietários de imóveis e financiadores para manter as lojas em funcionamento até o fechamento da operação.
Do ponto de vista econômico e institucional, a operação preserva, segundo o Hortus, cerca de 2.100 empregos diretos e a cadeia de fornecimento, mas deixa dúvidas práticas: credores e investidores terão de acompanhar a tramitação judicial e os termos definidos no plano; o Cade avaliará riscos concorrenciais e a própria Cencosud precisa ajustar ativos em Minas Gerais para custear a compra. A transação, portanto, resolve um nó imediato para o Hortus, mas abre um período de incerteza sobre impactos para credores, concorrência regional e para a estratégia de expansão do próprio comprador.