Ambev e Heineken divulgaram resultados nos dias 28 e 29 que mostram avanço nas versões sem álcool e de baixo teor alcoólico. Para as companhias, o segmento abre caminho para vender em ocasiões em que a cerveja tradicional nem entraria no pedido.
A Ambev informou que o volume de cervejas zero álcool no Brasil cresceu 42,9% no terceiro trimestre ante o mesmo período de 2025, enquanto o volume total de cerveja do grupo no país avançou apenas 0,5%. A Heineken apontou expansão de dois dígitos no portfólio low/zero global, acima do crescimento de 4,8% do volume total do grupo.
Ela funciona como uma ponte direta para novos momentos de consumo para a cerveja
Dados globais da controladora AB InBev citados pela Ambev indicam que cerca de 60% do volume do segmento vem de novas ocasiões e de novos consumidores — uma estimativa mundial que não deve ser tomada como retrato exclusivo do Brasil. Para as empresas, esse deslocamento significa vender onde antes o consumidor escolheria outra bebida.
A estratégia inclui ampliar o portfólio: a Heineken junta Heineken 0.0, Sol Zero e a recém-lançada Amstel 0.0; a Ambev diversifica ofertas e faixas de preço. A Skol Zero Zero já responde por mais de 10% do volume de cervejas zero álcool da companhia. Há também sinais de experimentação: entre os primeiros compradores de Spaten Pro no Zé Delivery, 51% em São Paulo e 44% no Rio disseram comprar a categoria zero álcool pela primeira vez na plataforma.
O desafio agora é transformar experimentação em hábito. Se a bebida convence na qualidade e está disponível nos canais certos, as fabricantes esperam converter testes em compras recorrentes e, assim, ampliar faturamento sem depender apenas do crescimento do mercado tradicional.
O consumidor não deixou de valorizar a socialização ou a experiência de tomar uma cerveja, o que mudou é que hoje há uma procura maior por liberdade para escolher o que beber de acordo com cada ocasião