Levantamento da Associação Paulista de Supermercados (APAS), com base no Índice de Preços dos Supermercados (IPS), mostra redução generalizada em itens da tradicional cesta junina em 2026. O grupo de frutas teve a maior queda, de 14,99%; o açúcar caiu 13,88% e a farinha de trigo recuou 7,88%. Outros produtos largamente usados em festas — como alho (-5,16%), milho em conserva (-5,07%) e salsicha (-4,89%) — também ficaram mais baratos, diminuindo a conta para quem organiza celebrações em casa ou participa de quermesses.
Para o economista-chefe da APAS, a combinação de itens em baixa desenha um quadro heterogêneo, mas com efeito líquido positivo para o orçamento familiar: mais opções tradicionais ficam ao alcance sem comprometer tanto a renda. Em paralelo, pesquisa do Instituto Locomotiva apontou que 85% dos maiores de 18 anos pretendem participar das comemorações de São João em 2026, alta de 4 pontos percentuais frente a 2025 — sinal de demanda forte por consumo e lazer.
O impacto macroeconômico é significativo: o Ministério do Turismo calcula que as festividades juninas movimentarão cerca de R$ 2,4 bilhões. Cidades do Nordeste aparecem no epicentro desse movimento — Campina Grande projeta 3,5 milhões de visitantes e R$ 800 milhões; Caruaru espera 4 milhões e também R$ 800 milhões, com 20 mil empregos diretos e indiretos; outras localidades como Maracanaú, Mossoró, Aracaju, Maceió, São Luís, Amargosa e Parintins trazem números expressivos de público, receita e geração de trabalho.
A conjugação de alimentos mais baratos e alta intenção de participação gera oportunidade para recuperar consumo local e renda. Ao mesmo tempo, impõe desafios administrativos: fluxo intenso de visitantes exige logística, segurança e serviço público eficientes, sob risco de custos e desgaste político para prefeituras e estados que não estiverem preparados. Em curto prazo, famílias terão alívio no bolso; em médio prazo, a qualidade da gestão dos eventos dirá se o ganho econômico se traduz em benefícios duradouros.