O Brasil se tornou o primeiro país a receber um Gripen F fabricado pela Saab, entregue à Força Aérea Brasileira durante cerimônia em Linköping, na Suécia. Antes de chegar à Base Aérea de Anápolis (GO), a aeronave fará campanha de ensaios no centro de testes em voo da Saab e, em seguida, seguirá por navio até o porto de Navegantes (SC); de lá será transportada por estrada até Anápolis, onde a Saab realizará checagens antes da primeira decolagem em solo brasileiro.

O Gripen F é a versão biposto do jato sueco, normalmente usada para treinamento com piloto e copiloto a bordo, enquanto o Gripen E, monoposto, é pensado para emprego em combate. O acordo fechado com a Saab em 2014 prevê a compra de 28 unidades da série E e oito da série F, totalizando 36 aeronaves. Até aqui a FAB já recebeu 11 caças, e a previsão é concluir as entregas em 2032, com 15 unidades tendo a montagem final na planta da Embraer em Gavião Peixoto (SP).

Do ponto de vista fiscal, o programa representa um compromisso de longa duração: o Brasil desembolsará, em média, 2,26 bilhões de coroas suecas por ano até 2032 (cerca de R$ 1,2 bilhão anuais), e já pagou 28,27 bilhões de coroas (aprox. R$ 15,3 bilhões). Esse fluxo de gastos mantém prioridades definidas na área de defesa, mas também acende alerta sobre o peso do acordo nas contas públicas e sobre a necessidade de explicar retorno estratégico e financeiro diante de outras demandas orçamentárias.

Há ganhos industriais claros com a finalização de parte das aeronaves na Embraer, em forma de trabalho, cadeia de fornecedores e transferência tecnológica. Ainda assim, o processo expõe custos logísticos e dependência de fornecedores estrangeiros para fases essenciais do programa. A chegada do Gripen F reforça a aposta brasileira na plataforma sueca, mas cobra do governo e das Forças Armadas clareza sobre cronogramas, custos residuais e a avaliação do benefício econômico real para o país.