Pela primeira vez, a China exportou em abril mais veículos elétricos e híbridos plug-in do que automóveis a gasolina ou diesel, segundo dados da Associação Chinesa de Carros de Passageiros (CPCA). Do total de 769 mil unidades enviadas ao exterior no mês, os chamados veículos de nova energia representaram 52,7% — 406 mil unidades, mais do que o dobro ante o ano anterior.

O movimento acompanha um quadro doméstico frágil: as vendas no varejo de carros de passeio caíram 21,5% em abril, para 1,38 milhão de unidades, e recuaram 16% em relação a março. Mesmo as vendas de veículos elétricos e híbridos registraram queda de 6,8%, para 849 mil unidades. A CPCA cita também a alta dos preços do petróleo como fator que reduz a demanda por modelos tradicionais a combustão.

Diante da fraqueza do mercado interno, montadoras chinesas ampliaram agressivamente operações externas. A entidade projeta que as exportações serão o principal motor de crescimento do setor, com fabricantes mirando sobretudo Europa e América Latina para compensar estoques e queda de vendas em outros mercados, como o Oriente Médio.

A estratégia exportadora tem efeitos claros: pressiona concorrentes globais e tende a intensificar competição em países importadores, inclusive na região latino-americana. Para governos e indústria locais, o novo cenário impõe dilemas sobre respostas comerciais e industriais — dos incentivos à necessidade de modernizar a cadeia produtiva — enquanto a China transforma o excesso de oferta em vantagem externa.