As exportações chinesas aceleraram em abril, registrando alta de 14,1% em valores em dólares ante o ano anterior, segundo dados da alfândega. O número supera com folga o ganho de 2,5% em março e a previsão média dos economistas. Ao mesmo tempo, as importações cresceram 25,3%, elevando o superávit comercial para US$84,8 bilhões em abril, ante US$51,13 bilhões em março. O ritmo de novas encomendas de exportação atingiu o nível mais alto em dois anos, conforme dados fabris divulgados em conjunto.

A leitura dos números aponta para um fenômeno claro: compradores estrangeiros têm antecipado compras e estocado componentes — movimento explicado pelo temor de maiores custos de insumos em caso de ampliação da guerra no Oriente Médio. Esse comportamento de demanda externa explica a força das exportações, mas os economistas ouvidos ressaltam que a resistência atual pode ser temporária: se o conflito se estender e pressionar preços de energia, a demanda externa tende a arrefecer.

O quadro tem contradições relevantes. No primeiro trimestre, o PIB da China avançou 5% em relação ao ano anterior, o que reduz, em tese, a necessidade de estímulos imediatos do governo. Ainda assim, indicadores domésticos apontam fragilidades: desemprego em alta, vendas no varejo fracas em comparação com a produção industrial, e preços de insumos elevados — sobretudo em refinados, petróleo, carvão e químicos. Em suma, o impulso externo convive com pressões internas que podem limitar a sustentabilidade do novo fôlego.

Há também componente geopolítico que pode reordenar fluxos: a visita do presidente dos EUA, Donald Trump, à China, programada para a próxima semana, traz possibilidades de ganhos setoriais, especialmente em comércio agrícola e peças aeronáuticas. Para parceiros e para o mercado global, a lição é dupla: a China segue capaz de ganhar terreno no curto prazo graças à procura por estoques, mas o panorama de custos energéticos e as fraquezas do consumo doméstico deixam margem de risco. Governos e empresas precisam incorporar essa volatilidade nas decisões de política comercial e cadeias de suprimento.