Órgãos reguladores chineses estão desacelerando a onda de ofertas públicas iniciais de empresas de robôs humanoides, segundo pessoas a par do assunto. A medida, tomada por meio de orientações informais a bancos e corretoras, ocorre depois da estréia extremamente volátil das ações da Unitree Robotics — que subiram mais de cinco vezes na estreia e depois retrocederam cerca de 55% a partir do pico — e busca domar uma euforia de mercado que excede sinais de demanda comercial.

Fontes consultadas pela imprensa internacional e relatadas pela Reuters e The Information afirmam que, na prática, várias operações foram postergadas e que não existe, ao menos por ora, uma proibição formal, mas sim um endurecimento dos critérios de aprovação. A China tem promovido a chamada “inteligência incorporada” como prioridade industrial, o que atraiu investimentos públicos e privados rápidos; investidores e empreendedores passaram a tratar o setor como uma oportunidade de curto prazo, negociações ocorreram sem due diligence tradicional e avaliações privadas já registraram desvalorizações de 30% a 50% em alguns casos.

Especialistas do mercado privado, na avaliação reunida pelas reportagens, chamam a onda de investimentos de fenômeno orientado por políticas — em que capital e empresas se alinham a setores favorecidos pelo Estado — e alertam que a intervenção regulatória visa equilibrar dois objetivos conflitantes: preservar o impulso tecnológico e evitar bolhas que fragilizam investidores e o próprio ecossistema. A Comissão Reguladora do Mercado de Valores Mobiliários da China não comentou oficialmente o tema, segundo relatos.

O efeito imediato é um freio no calendário de captações das startups do setor — entre as empresas citadas como prontas para IPO estão Deep Robotics, X Square Robot e Agibot — e uma pressão para que fundadores e bancos voltem a práticas mais convencionais de avaliação e due diligence. A decisão também sinaliza aos investidores estrangeiros e locais que Pequim pretende controlar a especulação sem abandonar o apoio estratégico à indústria, o que torna mais complexo o trade-off entre financiamento rápido e sustentabilidade de mercado.