O indicador privado de atividade industrial da China compilado pela S&P Global mostrou desaceleração em julho: o PMI do RatingDog caiu de 51,7 em junho para 50,9, pouco acima da linha de 50 que separa expansão de contração e aquém da projeção média de 51,5. O resultado aponta um enfraquecimento do ritmo de recuperação, com produção e novos pedidos crescendo de forma mais moderada.

A leitura privada soma-se a uma pesquisa oficial que registou, na sexta-feira, entrada inesperada da atividade industrial em contração no mês. Novos pedidos desaceleraram ao menor ritmo desde janeiro, enquanto os pedidos de exportação voltaram a crescer de forma marginal após dois meses de queda. Ao mesmo tempo, estoques de compras subiram pelo oitavo mês seguido — a sequência mais longa desde 2006-2007 — e a carteira de pedidos cresceu pelo sexto mês, porém em ritmo mais lento.

Os dados também mostram pressões de preços em queda: a inflação dos custos de insumos desacelerou ao menor nível em seis meses e os preços de venda permaneceram praticamente estáveis. Em contraste, as empresas relataram criação de vagas pelo segundo mês consecutivo, com o ritmo de contratação no patamar mais rápido desde agosto de 2023, cenário que atenua, parcialmente, o impacto sobre o emprego.

A resposta oficial tem sido contida: líderes chineses prometeram acelerar desembolsos em projetos de infraestrutura já orçados, mas sem anunciar um pacote amplo de estímulos. Para economias exportadoras e mercados de commodities, a mensagem é clara — a demanda global pode permanecer frágil. Do ponto de vista econômico e político, o quadro pressiona por medidas mais contundentes se Pequim quiser evitar que a perda de tração se transforme em deterioração mais profunda do crescimento.