Os preços ao produtor na China avançaram 3,5% em julho na comparação anual, recuando desde os 4,1% de junho e ficando abaixo da mediana das previsões. O Departamento Nacional de Estatísticas apontou que a alta foi puxada por mineração e matérias‑primas, enquanto alimentos e bens de consumo diário registraram queda.
No varejo, o IPC básico — que exclui alimentos e energia — subiu apenas 0,9% em 12 meses, e o índice de preços ao consumidor teve variação mensal negativa de 0,1%, ante expectativa de alta. Os preços dos alimentos caíram 1,5%, sinalizando pressão deflacionária que decorre da demanda doméstica ainda fraca.
Especialistas citados nos dados relacionam a desaceleração com perda de ímpeto econômico no segundo trimestre e com choques de oferta ligados a conflitos e riscos no Estreito de Ormuz, que antes haviam elevado custos energéticos. O banco ANZ projeta agora um PPI de 2,5% e um IPC em torno de 1,0% para o ano.
Para países exportadores de commodities, como o Brasil, o quadro reduz a pressão inflacionária global e complica a recuperação dos preços de matérias‑primas. Internamente, os números expõem a fragilidade da retomada chinesa e aumentam a necessidade de medidas fiscais e monetárias calibradas para evitar que a fraca demanda se transforme em deflação mais persistente.