O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da China avançou 1,2% em maio na comparação anual, informou o Departamento Nacional de Estatísticas. O núcleo — que exclui alimentos e energia — subiu 1,1% em relação ao ano anterior. Na comparação mensal, entretanto, o IPC registrou queda de 0,1%, tanto nas áreas urbanas (1,3% ano a ano) quanto nas rurais (1,1%).

Os números mostram dinâmica desigual: os preços dos alimentos caíram 1,7% no ano, enquanto produtos não alimentícios subiram 1,9%. Em maio, bens de consumo registraram alta anual de 1,6% e serviços, 0,8%. No confronto com abril houve recuo generalizado: alimentos -0,4%, não alimentícios -0,1%, bens de consumo -0,2% e serviços -0,1%. O conjunto dos cinco primeiros meses acumula alta média de 1,0% ante igual período de 2025.

O recuo mensal, mesmo diante de alta anual moderada, aponta para uma recuperação do consumo ainda frágil — especialmente quando alimentos recuam e serviços mostram ganho tímido. Para formuladores de política econômica e bancos centrais, esse quadro traduz um dilema clássico: inflação controlada, mas com demanda insuficiente para sustentar crescimento mais vigoroso.

O efeito no exterior é prático: uma China com inflação baixa e consumo contido tende a reduzir pressão sobre preços de commodities e sobre o crescimento global, o que importa para exportadores como o Brasil. Os dados, mais do que prever um caminho, retratam um momento de incerteza: autoridades e mercados terão de acompanhar os próximos meses para avaliar se há espaço para estímulos ou risco de desaquecimento mais profundo.