O Produto Interno Bruto da China avançou 4,5% no terceiro trimestre de 2026, ritmo que superou as projeções do mercado e reforça a trajetória de recuperação após níveis historicamente baixos. O resultado foi impulsionado principalmente por uma disparada das exportações e por um desempenho sólido da indústria, o que deve ajudar Pequim a mirar a meta anual de 4,5% a 5,0% sem recorrer a pacotes de estímulo amplos.
Porém, a leitura mais relevante é a composição do crescimento: a produção industrial cresceu 5,5% em setembro e as exportações registraram aumentos expressivos em dados recentes, ao passo que as vendas no varejo continuam atrás da produção. O mercado imobiliário segue em recessão, corroendo riqueza familiar nos últimos anos, e empresas — de fabricantes tradicionais a montadoras — têm privilegiado os mercados externos diante da fraca demanda doméstica.
O avanço exportador já provoca reações no exterior. A União Europeia e a China acertaram limites para a exportação de carros híbridos ao bloco, enquanto Bruxelas avalia restrições adicionais após superávits comerciais com Alemanha e França crescerem mais de 200% em setembro ante o ano anterior. Analistas destacam que o crescimento atual acentua o desafio de reequilíbrio estrutural e amplia a exposição chinesa a tensões comerciais e medidas protecionistas.
Em síntese, o dado do terceiro trimestre confirma que a China volta a influenciar fortemente os mercados globais, mas também evidencia um crescimento cada vez mais dependente do exterior e de medidas estatais. Para os formuladores de política, o dilema é claro: manter o ímpeto com apoios pontuais ou acelerar reformas que estimulem uma recuperação de base doméstica — sem mudanças, a avenida das exportações pode carregar custos políticos e econômicos no médio prazo.