A China vive uma recuperação nas ofertas públicas iniciais do setor de tecnologia, impulsionada por empresas de semicondutores e inteligência artificial. Dados da LSEG mostram que, até 18 de junho, companhias de tecnologia levantaram US$ 3,1 bilhões em IPOs — mais de cinco vezes o volume do mesmo período do ano passado — e quase 50 empresas registraram pedidos em Xangai e Shenzhen com planos de captar ao menos US$ 18,7 bilhões. A fabricante de chips CXMT sinalizou uma oferta de 29,5 bilhões de iuanes em Xangai, que seria a maior do ano.

O movimento acompanha decisões regulatórias recentes: em 17 de junho, autoridades disseram que apoiariam aberturas de capital em ‘setores do futuro’, como tecnologia quântica e interfaces cérebro-computador, e a Bolsa de Xangai publicou regras para facilitar listagens de grandes empresas de modelos de linguagem no Mercado STAR. Na prática, a agenda combina estímulo ao mercado doméstico com a tentativa de segurar empresas estratégicas no continente.

Para investidores e fundos, a retomada representa oportunidades de saída há muito esperadas para private equity e venture capital que financiaram startups tecnológicas. Analistas ouvidos no mercado destacam que a inclusão de empresas listadas em Hong Kong no circuito continental pode ampliar opções e liquidez. Ainda assim, o quadro guarda contradições: as captações domésticas caíram para US$ 2,7 bilhões em 2024, depois de US$ 15,7 bilhões em 2023, recuperando-se modestamente para US$ 3,6 bilhões em 2025, enquanto Hong Kong captou US$ 6,6 bilhões em 2025 — sinal de que o caminho para a consolidação do mercado local é incerto.

Além do potencial de liquidez, a ofensiva reflete um cálculo estratégico de Pequim em plena rivalidade tecnológica com os Estados Unidos: promover autossuficiência, redirecionar capital e criar campeões nacionais. Isso pode beneficiar empresas-chave, mas também trazer riscos de concentração, estímulo seletivo e volatilidade para investidores que precisam distinguir impulso regulatório de fundamentos empresariais. A tendência exige atenção a sinais de intervenção, critérios de governança das companhias e sustentabilidade da demanda local.