A economia chinesa mostrou em maio um quadro de crescimento em duas velocidades: as vendas no varejo recuaram 0,6% na comparação anual — primeira queda desde dezembro de 2022 — enquanto a produção industrial acelerou para 4,5% ante o ano anterior, acima das expectativas. O contraste reforça a dependência das fábricas em mercados externos e a fraqueza persistente da demanda doméstica.
O enfraquecimento do consumo ficou evidente no setor automotivo, com vendas internas em queda pelo oitavo mês seguido, e no comportamento moderado dos gastos durante o feriado do Dia do Trabalho. Ao mesmo tempo, a produção de alta tecnologia avançou 15,1% em maio, impulsionada pela demanda global por IA e equipamentos eletrônicos — um motor que tem compensado, em parte, a perda de tração interna.
No plano dos investimentos, os números preocupam: o investimento em ativos fixos recuou 4,1% nos primeiros cinco meses do ano, pior que a dinâmica observada até abril e bem abaixo do que economistas esperavam. O investimento imobiliário ampliou a queda, registrando -16,2% no período. Autoridades atribuíram parte da retração a fatores climáticos e à transição entre vetores de crescimento, mas a magnitude do recuo sinaliza problemas estruturais no mercado imobiliário e efeitos sobre emprego e receita das autoridades locais.
O resultado coloca Pequim diante de um dilema de política econômica. Analistas citados pelo mercado esperam medidas de ‘ajuste fino’ na política monetária possivelmente em julho, mas a necessidade de reaquecer o consumo pode exigir ações fiscais direcionadas sem elevar excessivamente o custo fiscal. A aposta em exportações e em tecnologia sustenta a atividade industrial, mas a persistente fraqueza do consumo interno e do investimento imobiliário acende alerta sobre a sustentabilidade do crescimento e sobre os riscos de mais estímulos pontuais em vez de reformas que restaurassem confiança e demanda das famílias.