A Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma da China anunciou, em comunicado sucinto, a proibição da aquisição da startup de inteligência artificial Manus por uma empresa estrangeira, exigindo que todas as partes se retirem do negócio. O órgão não citou explicitamente a Meta, proprietária do Facebook e do Instagram, mas a transação havia sido anunciada pela empresa americana em dezembro.

A decisão foi tomada pelo Escritório do Mecanismo de Trabalho para Revisão de Segurança de Investimentos Estrangeiros, em conformidade com as leis e regulamentos chineses, segundo o comunicado. A comissão não detalhou os motivos do veto. Autoridades chinesas já haviam informado, no início do ano, que investigavam a operação, e o Ministério do Comércio ressaltou que investimentos no exterior, exportações de tecnologia e transferências de dados devem obedecer à legislação nacional.

A Meta afirmou que a transação cumpriu a legislação aplicável e que "prevê uma resolução adequada para a investigação". A empresa também disse que a maioria dos funcionários da Manus estava baseada em Singapura e que não haveria "interesse acionário chinês contínuo" na startup, que planejava descontinuar operações na China.

Além do impacto direto sobre a operação anunciada, o veto funciona como sinal de alerta para aquisições de tecnologia com vínculos chineses: amplia o risco regulatório e a incerteza para empresas ocidentais que buscam incorporarem capacidades avançadas de IA. Para investidores e compradores, o episódio ressalta que regras domésticas podem inviabilizar negócios estratégicos e encarecer processos de due diligence e mitigação de riscos.