Uma pesquisa do Citi com 73 investidores revela que o mercado espera reações imediatas e intensas aos dois cenários do segundo turno. No caso de vitória de Flávio Bolsonaro, 49,3% dos entrevistados projetam alta superior a 5% no Ibovespa já na segunda-feira, enquanto outros 48% estimam ganhos entre 1% e 5% — soma que totaliza 97,3% de expectativas positivas. No cenário de reeleição de Lula, 79,5% apontam queda superior a 5% e 6,9% preveem recuo entre 1% e 5%.

As expectativas se estendem ao câmbio e aos juros. Para uma vitória de Flávio, 78,1% esperam valorização do real de 2% a 5% frente ao dólar, e 9,6% projetam apreciação superior a 5%. No cenário Lula, 62,5% calculam alta do dólar acima de 5% e 27,8% estimam avanço entre 2% e 5%. Quanto aos juros futuros (DI jan/2029), 54,9% antecipam queda entre 0,5 e 1 ponto percentual com Flávio; já 67,1% esperam alta superior a 1 ponto se Lula vencer.

O diagnóstico dos investidores conecta intuitivamente política com prêmios de risco: a perspectiva favorável ao candidato oposicionista é vista como sinal de melhora na política fiscal e redução de incertezas, enquanto a reeleição do atual presidente é associada à continuidade de pressões fiscais e aumento do prêmio exigido pelo mercado. Importante: o levantamento reflete percepções dos participantes, não é uma previsão automática nem a estimativa oficial do banco.

A intensidade das respostas deixa claro que a eleição ainda pode provocar uma reprecificação relevante, mesmo após a valorização recente dos ativos brasileiros. Para governos e candidatos, o resultado implica custo político e econômico imediato: movimentos bruscos no câmbio e nos juros elevam o custo do financiamento, afetam investimentos e pressionam decisões de curto prazo. Em suma, os números do Citi acendem alerta e complicam a narrativa oficial de estabilidade para a reta final da campanha.