A Claro, controlada pela mexicana América Móvil, disse estar aberta a novas aquisições no Brasil depois de anunciar em março a compra de 73% da provedora de internet Desktop por R$ 4 bilhões. Em entrevista a jornalistas, o presidente da empresa no país, Rodrigo Marques, afirmou que a companhia avalia todas as opções, mas que não fecha negócios que não façam sentido para as necessidades dos clientes.

A operação com a Desktop prevê um preço total de R$ 4 bilhões, equivalente a um valor-base aproximado de R$ 2,4 bilhões quando descontada a dívida da empresa, segundo a própria Claro. Marques afirmou ainda que o acordo ainda depende de aprovações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) e da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), esperadas pela companhia até o fim do ano. A motivação apontada foi a presença robusta da Desktop no Estado de São Paulo, embora a Claro atue em âmbito nacional.

Do ponto de vista do mercado, a sinalização de abertura a novos negócios reacende o debate sobre concentração no setor de telecomunicações. Fusões e aquisições podem gerar ganhos de escala e eficiência — argumentos que costumam ser usados pelas empresas —, mas também levantam expectativas de maior escrutínio por parte de reguladores sobre impactos à concorrência, preço e qualidade do serviço para os consumidores.

Para o setor público, o caso será um teste sobre a capacidade das autoridades de pesar eficiência econômica contra riscos de concentração. Para a própria Claro, a estratégia precisa demonstrar que aquisições tragam benefícios concretos em cobertura, inovação e custos, e não apenas expansão de participação. As próximas decisões de CADE e Anatel serão determinantes para saber se a operação segue adiante e qual será o ritmo de consolidação no mercado brasileiro.