A decisão dos Estados Unidos, anunciada na noite de quinta-feira (28), de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas acendeu um alerta no setor financeiro brasileiro. Em nota divulgada nesta sexta (29), a Associação Brasileira de Bancos (ABBC) afirmou que a medida tende a aumentar desafios operacionais e regulatórios para bancos, fintechs e outras empresas que mantêm vínculos com o sistema financeiro global.

Segundo a entidade, as áreas de compliance, prevenção à lavagem de dinheiro e relacionamento com parceiros internacionais serão as mais afetadas. Na prática, a designação pode exigir maior rigor nas diligências cadastrais, revisões contratuais mais frequentes e respostas detalhadas a questionamentos de correspondentes no exterior — pressões que elevam os custos de observância e a carga operacional das instituições.

A ABBC também chama atenção para efeitos indiretos: além de complicar transações internacionais e validações cadastrais, a medida pode aumentar a percepção de risco por parte de investidores estrangeiros. Esse contexto pressiona por normas e orientações mais claras dos supervisores e expõe fintechs, que costumam operar com margens e estruturas de compliance mais enxutas, a um dilema entre crescimento e conformidade rigorosa.

Ao mesmo tempo em que lembra que o sistema financeiro brasileiro já opera sob regras robustas de prevenção, a associação deixa claro que a novidade exige adaptação rápida. O custo dessa adequação — em tecnologia, pessoal e controles — tende a recair sobre instituições e, potencialmente, sobre consumidores e investidores, com impacto na velocidade e no custo de serviços financeiros transfronteiriços.