A decisão do governo dos Estados Unidos de qualificar o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas eleva o patamar de risco a que estão sujeitas instituições que operam com o Brasil. Especialistas ouvidos apontam que a medida não implica, automaticamente, sanção a bancos brasileiros, mas modifica o parâmetro de avaliação usado por autoridades e contrapartes internacionais.

Servulo Mendonça, chairman da Holding SM, assinala que o compliance deixou de ser mera prática recomendada e virou critério de acesso ao mercado financeiro global. Na prática, isso significa aumento de diligência: verificação aprofundada de beneficiários finais, monitoramento de padrões atípicos e comunicação mais agressiva de operações suspeitas — ações que têm custo operacional direto.

Pedro Henrique Rezende, sócio e especialista em compliance, lembra que empresas com vínculos aos EUA ou exposição ao sistema financeiro internacional serão as mais cobradas. Há risco real de instituições estrangeiras restringirem limites, encerrar relações comerciais ou exigir garantias extras, o que pode tornar crédito e serviços financeiros mais caros e menos disponíveis para exportadores e importadores.

O economista Robson Gonçalves, da FGV, aponta fragilidades já existentes nos mecanismos de prevenção à lavagem de dinheiro no país. A consequência imediata tende a ser um esforço acelerado de atualização de controles por parte de bancos e grandes empresas; para cadeias menores, o custo de adaptação pode pressionar margens e reduzir competitividade.

Além do impacto econômico, a designação cria um nó jurídico: situações que não constituem, no direito interno, financiamento ao terrorismo podem, pela ótica americana, enquadrar-se como apoio a organização terrorista, com risco de congelamento de ativos e outras sanções extraterritoriais. Em suma, a medida amplia o risco regulatório e impõe às empresas brasileiras a necessidade de investimentos urgentes em compliance sob pena de perda de acesso a mercados essenciais.