A Confederação Nacional da Indústria (CNI) reagiu com cautela à aprovação, na Câmara, da PEC 12/2026 — conhecida como proposta do fim da escala 6x1 — e qualificou o texto como um "benefício ilusório" quando aplicado na forma votada. Em carta endossada por mais de 3 mil entidades econômicas, o setor produtivo pediu ao Senado um debate mais amplo sobre jornada de trabalho, sem pressões de calendário eleitoral. Para a CNI, medidas apressadas podem gerar efeitos adversos para a economia e para o próprio trabalhador.
Ricardo Alban, presidente da entidade, destacou que a proposta aprovada na Câmara atinge um grupo restrito: dos cerca de 40 milhões de trabalhadores formais, aproximadamente 30% excedem 40 horas semanais — ou cerca de 12 milhões de pessoas. Na visão da CNI, tratar a redução de jornada como benefício isolado, sem contrapartidas de produtividade ou ajuste de custos, tende a transferir desembolso para preços e serviços, afetando o poder de compra e, em última instância, a população em geral.
A argumentação da CNI recorre a exemplos externos e a indicadores domésticos: cita-se o impacto observado em outras experiências, como o Chile, onde medidas semelhantes teriam pressionado inflação, informalidade e desemprego. Alban também lembrou que países e mercados vêm debatendo ajustes na margem — mencionou discussões na Alemanha e reformas em curso na Argentina — para sublinhar que não existe um consenso automático sobre redução de jornada sem efeitos colaterais.
Ao mesmo tempo, a CNI não rejeita o tema da jornada. Defende que a pauta seja tratada com profundidade, com foco em produtividade, renda e negociação coletiva — hoje citada como responsável por médias de 38,4 horas semanais em acordos — e alerta contra soluções que criem custos adicionais à economia sem contrapartida. O recado é claro: o Senado tem diante de si uma decisão com potencial custo político e econômico, que exige avaliação técnica e esforço para equilibrar direitos dos trabalhadores e sustentabilidade do emprego.