A Confederação Nacional da Indústria (CNI) avaliou como relevante o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, realizado na quinta-feira (8). Para Ricardo Alban, presidente da entidade, é preciso deixar de lado divergências políticas e tratar, em nível técnico, as questões estratégicas que afetam a relação econômica bilateral.
A entidade diz que vem atuando desde o início do chamado 'tarifaço' americano para facilitar a interlocução entre empresários e governos. Na segunda-feira (11), a CNI promove em Nova York o Brasil-U.S. Industry Day, com expectativa de mais de 500 lideranças empresariais, investidores e autoridades — cerca de 30% do público vindo dos Estados Unidos — para debater investimentos, inovação, financiamento produtivo e integração de cadeias de valor.
O movimento da CNI combina pressão e pragmatismo: ao reunir representantes dos dois mercados, a entidade busca transformar um gesto diplomático em medidas concretas que melhorem a competitividade da indústria brasileira. A agenda prioriza setores sensíveis, como minerais críticos, inovação e energia, onde a coordenação internacional é crucial para evitar desarranjos nas cadeias produtivas e perdas de competitividade.
A disponibilidade pública da CNI para colaborar na construção das propostas coloca o setor produtivo no centro das negociações. Resta saber se a reunião entre chefes de Estado será suficiente para reduzir atritos e gerar soluções efetivas, ou se ficará restrita a declarações, deixando o custo econômico das tarifas como desafio imediado para empresas e governo.