A Confederação Nacional das Indústrias (CNI) identificou que a maioria das manifestações inscritas para a audiência pública sobre a proposta de tarifas adicionais dos Estados Unidos se posiciona contra a medida. A sessão, marcada para 6 de julho, integra o processo conduzido pelo USTR com base na chamada Seção 301. Do total de 80 contribuições públicas registradas, 66 defendem posição favorável ao Brasil — ou seja, contrárias à aplicação de novas taxas — enquanto 14 apoiam a imposição das tarifas.
Entre os depoimentos que rejeitam novas tarifas, mais da metade foi apresentada por organizações norte‑americanas, entre elas compradores, fabricantes, varejistas e associações como a U.S. Chamber of Commerce e a National Retail Federation. Do lado descrito como favorável ao Brasil, 36 manifestações partiram de entidades sediadas nos EUA e 30 de representantes brasileiros. Setores como pedra natural, calçados, café, cerâmica, vermiculita, madeira, papel, ferro‑gusa e mel orgânico figuram entre os que pedem a manutenção do comércio sem novas barreiras.
As posições favoráveis às tarifas concentram‑se em quatro frentes principais: etanol, pecuária, siderurgia e madeira. O balanço das inscrições expõe uma divisão de forças relevante: grandes cadeias de comércio e segmentos exportadores temem impactos na oferta e custos a montante, enquanto grupos que pleiteiam proteção argumentam em defesa da produção doméstica. Esse equilíbrio complica a narrativa oficial americana e pode enfraquecer o caso técnico para medidas punitivas.
Para o Brasil, o levantamento da CNI funciona como instrumento político e técnico na defesa contra tarifas: os números reforçam a argumentação de empresários e do governo brasileiro, e ampliam a pressão diplomática para atuação conjunta. A audiência de 6 de julho será etapa decisiva do processo administrativo do USTR; o resultado final dependerá agora da avaliação do governo americano, mas o apoio expressivo de entidades norte‑americanas reduz o caminho para a adoção automática de novas taxas e mantém aberto o espaço para negociação.