A Confederação Nacional da Indústria (CNI) elevou o tom ao pedir medidas imediatas para empresas brasileiras afetadas pelas novas sobretaxas anunciadas pelos Estados Unidos. Para o presidente Ricardo Alban, a situação é emergencial: com alíquota de 25% já em vigor e a sobreposição anunciada, o impacto sobre preços e competitividade pode atingir 32,5%, apagando margens e deslocando mercados.

Alban indicou instrumentos públicos que podem atuar em caráter de emergência — APEX, SEBRAE, BNDES, SESI e SENAI — para mitigar perdas e apoiar adaptação produtiva. A proposta inclui também incorporar o tema à política industrial, criando uma sétima missão focada nas cadeias produtivas internacionais e constituindo um grupo de trabalho com federações industriais e atores públicos sob coordenação ministerial.

A advertência da CNI combina avaliação técnica e pressão política: além de efeito direto sobre bens manufaturados e semi-elaborados, as sobretaxas ameaçam operações intercompanhias e acordos comerciais já em curso, elevando custo de produção e reduzindo espaço para competir no exterior. A saída prioritária, segundo Alban, continua sendo a negociação com Washington, mas ele ressalta a necessidade de medidas domésticas paralelas.

Do ponto de vista político e econômico, o pedido da CNI coloca o governo diante de um duplo desafio: sustentar um esforço diplomático para reverter as taxas e ao mesmo tempo operacionalizar apoio que limite fechamento de mercados e perdas de empregos. Se a resposta pública for tímida, o setor exportador pode registrar retrocessos que impõem custo real à recuperação comercial do país.