Brasília, DF – As condições financeiras das pequenas indústrias chegaram ao pior ponto em cinco anos, indica o Panorama da Pequena Indústria (PPI) divulgado pela CNI nesta sexta (30).
No terceiro trimestre de 2026, o índice de situação financeira ficou em 38,5 pontos, recuando 0,9 ponto frente ao trimestre anterior. Na comparação anual, a queda é de 2,5 pontos; o valor está 0,3 ponto abaixo da média histórica. O indicador varia de 0 a 100 e leva em conta margem de lucro operacional, facilidade de acesso ao crédito e condição financeira das empresas.
O ambiente de crédito ainda é muito restritivo, principalmente por causa da elevada taxa de juros. As pequenas indústrias sofrem ainda mais para conseguir crédito e, mesmo quando acessam, não conseguem o valor que necessitam
O índice de desempenho das pequenas indústrias também caiu 0,9 ponto, para 44,3 — cerca de 0,1 ponto acima da média histórica, mas 2 pontos inferior ao mesmo período de 2025. Esse indicador considera volume de produção, utilização da capacidade instalada e evolução do número de empregados.
Empresários apontaram como principais entraves a elevada carga tributária e o acesso ao crédito. No setor de transformação, a parcela que reclama da tributação subiu de 37,3% para 41%; na construção, passou de 42,9% para 43,6%. A CNI destaca que o ambiente de crédito segue restritivo devido às altas taxas de juros, o que limita o montante disponível para pequenos negócios.
O índice de confiança da categoria melhorou em outubro, de 44,4 para 46,8 pontos, mas permanece abaixo da linha divisória de 50 há 23 meses, desde novembro de 2024. As perspectivas das pequenas indústrias marcaram 46,6 pontos no terceiro trimestre, também em zona pessimista.