A 69ª edição da pesquisa Retratos da Sociedade Brasileira: Futuro Profissional, da CNI em parceria com a Nexus, indica que prioridades clássicas continuam dominando o horizonte do trabalhador: 28,7% apontam o salário como principal diferencial, 22,4% citam estabilidade e 20,1% destacam perspectiva de crescimento. Tendências modernas, como trabalho remoto (15,9%) e jornada reduzida (9,8%), ficaram atrás.

O estudo também mostra que o emprego com carteira assinada segue atraente para 36,3% dos que buscam trabalho — percentual que sobe a 41,4% entre jovens de 25 a 34 anos — enquanto 13,9% aspiram à própria empresa em ramos tradicionais. Ao mesmo tempo, 95% declaram satisfação com o emprego atual, mas 42,7% não sabem onde estarão profissionalmente em cinco anos, sinalizando apreensão diante de mudanças tecnológicas.

A pesquisa aponta um gargalo objetivo: menos de metade da população domina habilidades digitais complexas, como uso de IA e planilhas avançadas. Esse déficit alimenta a insegurança sobre empregabilidade futura e limita a capacidade de transição para atividades de maior produtividade — um problema que exige resposta coordenada entre empresas, setor educacional e políticas públicas.

Do ponto de vista político e econômico, o resultado complica narrativas que privilegiam flexibilização e redução de custos trabalhistas sem propostas de compensação em qualificação e proteção social. A preferência por remuneração e estabilidade acende um alerta para gestores: qualquer reforma deve considerar o apelo ao emprego formal, a pressão por renda imediata e o risco de ampliar a distância entre competências exigidas e as disponíveis no mercado.