Os futuros do cobre atingiram máximas históricas, com o contrato em Nova York fechando a US$ 6,89 por libra — o maior nível já registrado — e cotações em Londres também em patamar recorde. A cotação acumula alta de mais de 15% no ano e quase 40% nos últimos 12 meses; um recuo de cerca de 5% em um dia recente não alterou o quadro de elevação estrutural dos preços.

A combinação de demanda robusta e aperto da oferta explica o movimento. Além do uso tradicional do metal em construção e eletrônica, o impulso recente vem da expansão de data centers e da cadeia ligada à inteligência artificial, somada ao crescimento de veículos elétricos. Do lado da oferta, dados preliminares do International Copper Study Group indicam queda de 1,1% na produção de minas no primeiro semestre de 2026, com o Chile — maior produtor mundial — registrando recuo de 6,6%.

A incerteza sobre medidas tarifárias nos EUA intensifica as distorções: depois da tarifa de 50% aplicada a cobre semimanufaturado no ano passado, operadores antecipam a possibilidade de nova sobretaxa sobre cobre refinado, o que motivou envios acelerados ao mercado norte-americano e redução de estoques em outros centros. Analistas também apontam que fluxos especulativos amplificam a volatilidade, mesmo com fundamentos que sustentam preços mais altos.

Para empresas e consumidores, a alta representa pressão sobre custos industriais — de fios e cabos a componentes eletrônicos — e potencial repasse à inflação. O cenário exige atenção de setores produtivos e da política econômica: projetos de infraestrutura, cadeia automotiva e obras habitacionais podem enfrentar custo elevado de insumos, enquanto autoridades devem monitorar riscos de desabastecimento setorial e efeitos sobre inflação e competitividade.