A Cogna encerrou o 2º trimestre com lucro líquido ajustado de R$210,2 milhões, alta de 18% na comparação anual, e registrou crescimento de dois dígitos na receita. No semestre, a receita avançou 25% e o EBITDA cresceu 15%, impulsionados, sobretudo, pelo desempenho da educação básica, cuja receita subiu 50% no trimestre e 63% no semestre.
A geração de caixa livre apareceu como ponto central do balanço: R$252 milhões no trimestre, um aumento de 87,8%, e pouco mais de R$504 milhões no acumulado do ano — valor inferior ao total de R$716 milhões registrado em 2022, mas suficiente para melhorar a posição financeira. A companhia atribui ganhos a uma gestão mais eficiente do contas a receber e ao fluxo de pagamentos com escolas e governos, além de sinergias da combinação com a Somos após o fechamento de capital da unidade listada na Nasdaq.
O recuo da dívida líquida para R$2,775 bilhões, com alavancagem de 1,1 vez, é o principal sinal de mudança na estratégia. Ainda que distante dos níveis de 2020, quando a alavancagem superava 3 vezes, a direção liderada por Roberto Valério coloca a redução do endividamento entre as prioridades diante do custo elevado do crédito. A alocação de caixa foi definida em três frentes: desalavancagem, retorno ao acionista — cerca de R$150 milhões em dividendos neste ano — e aquisições estratégicas, como a compra de 90% do EduqueBank por menos de R$50 milhões.
Os riscos permanecem: a desaceleração econômica e o aumento do endividamento das famílias tendem a pressionar a recuperação do ensino superior, afetado também por uma transição regulatória que redireciona alunos do EAD para modelos semipresenciais e presenciais. A provisão para devedores duvidosos melhorou 0,6 ponto percentual, mas a empresa admite que o segundo semestre será mais desafiador. Para mercados e investidores, a combinação de geração de caixa e desalavancagem melhora a resiliência, mas impõe trade-offs claros entre pagar dividendos, reduzir dívida e financiar aquisições.