O Congresso da Colômbia aprovou o orçamento federal para 2027 em meio a sinais claros de deterioração das contas públicas. O projeto fechado prevê gastos de 634,9 trilhões de pesos (cerca de US$ 206,6 bilhões) e estima um déficit fiscal recorde de 9,4% do Produto Interno Bruto. Parlamentares devolveram a proposta inicial ao Executivo para incorporar despesas adicionais, incluindo reparos e resposta ao terremoto de magnitude 7,4 que atingiu o país em agosto.
O ministro da Fazenda reconheceu que o texto não é o ideal para iniciar o mandato, mas o apresentou como compatível com a situação atual da economia nacional. Na prática, o rombo será parcialmente coberto por aumento da dívida pública, cenário que tende a elevar a vulnerabilidade fiscal do país. Autoridades do governo anunciaram, porém, a intenção de encaminhar uma ampla reforma tributária — batizada de "Lei de Resgate" — com a meta de reduzir o déficit a 7,2% do PIB no próximo ano, patamar projetado para 2026.
Vozes técnicas chamaram atenção para o risco implícito: o chefe do Comitê Independente de Gestão das Regras Fiscais alertou previamente que as finanças públicas poderiam ficar em situação ainda mais crítica se o orçamento original fosse mantido. A aprovação, portanto, adianta o problema ao calendarizar um ajuste nos anos seguintes, mas sem oferecer garantias de que a reforma proposta terá aceitação política suficiente para garantir resultado fiscal efetivo.
Politicamente, o novo presidente Abelardo De La Espriella atribuiu a responsabilidade pela deterioração fiscal ao governo anterior, citando corrupção e mau uso de recursos, embora não tenha apresentado provas públicas dessas acusações. O quadro que se desenha é de pressão imediata sobre o Executivo: será necessário aprovar medidas de receita ou corte de gastos, com custo político e social, para evitar que o aumento da dívida comprometa o acesso a mercados e a confiança de investidores. A decisão do Congresso transforma uma crise fiscal latente em tarefa urgente para o governo recém-empossado.